"La semana del asesino"Eloy de la Iglesia
1972
Não obstante da má escolha no título para o mercado internacional (o filme não gira em torno de uma expedição de ocidentais perdida algures no pacífico,prestes a servir de entrada num banquete de antropófagos),
"la semana del asesino" (ou cannibal man...) não está confinado ao velho (e fecundo) pragmatismo do
Gore, o que faz com que a obra que aqui jaz possa ser apreciada quer por fãs de Lucio Fulci, como também por fãs de Jean Cocteau (tal é a sua profundidade).
Eloy de la Iglesia, realizador do drama gay de culto
"Los placeres ocultos", atravessa um período conturbado da vida política espanhola, sendo as suas produções alvo de uma aguerrida censura, assim como as do seu conterrâneo (o verdadeiro messenas do cinema trash) Jesus Franco.
O ritmo paulatino, reminiscente ao
giallo italiano, conta a estória de um homem (preso a um monótono trabalho num talho) revoltado com a pressão exercida pela sociedade, tendo como pano de fundo o contraste entre o desenvolvimento da urbe circundante e a incapacidade de reacção. O dever de trabalhar para assegurar a sua subsistência, e o de seguir uma sexualidade que não choque com o aceitável moralmente, alimentam a sua frustração existencial e eclodem num fortuíto hecatombe de emoções que o arrasta para um ciclo de homícidios com o fim de preservar o seu direito à liberdade.
Há que salientar o brilhante desempenho de Vincente Parra no papel de Marcos.
C. M.